A Bíblia, como livro aberto: 
Junho de 2004

la bible 

  Onde estão os profetas? 
 

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5º domingo do tempo comum Luc 4,21-39:
Onde estão os profetas?
 
où sont les prophètes? "Eu vos digo, nenhum profeta é bem recebido no seu país." Jesus pronuncia estas palavras na sua aldeia de Nazaré, depois de uma intervenção que não passou despercebida na sinagoga. 
 
É perturbante e surpreendente ver que o jovem profeta de Nazaré não foi acolhido pelos seus. Como tantos outros antes dele, Jesus experimenta a rejeição.
 
Mais tarde, ao chegar diante de Jerusalém com os seus discípulos, será dominado pela emoção: "Jerusalém, tu que matas os profetas…". Não diz: "Tu que matas os sacerdotes!" Os sacerdotes não estão na primeira linha. Zelam pela aplicação da lei de Moisés, defendem a tradição, asseguram-se da boa marcha da instituição religiosa. De onde as tensões, e mesmo as incompreensões entre os profetas e os sacerdotes.
 
on les tue Os profetas correm riscos. Não pregam a resignação, mas a libertação. Matam-nos, porque eles aparecem como portadores da novidade. Uma novidade que assusta e incomoda. 
 
Não legislam, não organizam, não definem. Abrem um futuro, despertam liberdades, provocam a revolta das consciências. Têm a audácia de afirmar que os mais deserdados são os preferidos de Deus, chamados desde esse momento a assumir a responsabilidade do seu próprio futuro.
 
Para eles, Deus não pode ser limitado a um lugar, ainda que sagrado, nem a um povo, ainda que eleito. Deus actua por toda a parte e é para todos.
 
Naturalmente que os profetas são mal vistos pelos detentores do poder vigente. Tornam-se suspeitos e são marginalizados pela sua instituição. Incomodam as pessoas, que se sentem atingidas na sua maneira de viver, crer e praticar.
 
Hoje em dia, pedimos profetas. Sem dúvida que o Espírito Santo os suscita entre nós.
 
Continua a haver mulheres e homens habitados por um sopro de liberdade e portadores de uma palavra nova, mas a instituição apressa-se a calá-los e a privá-los de qualquer responsabilidade. 

la foule des parvis

 
Eles juntam-se à multidão que enche os adros e transformam-se para muitos num horizonte. Fazem nascer a esperança de que outro mundo é indispensável e de que outra Igreja ainda é possível.
 
O profeta de Nazaré não propôs caminhos balizados. Nada codificou. Felizmente! Senão, hoje já não se falaria dele. Mas despertou as liberdades e acendeu um fogo. Que prodigioso fermento é ainda hoje para a humanidade!